QUANDO SE PERDE UM AMIGO…

A história da humanidade está repleta de relatos sobre a importância da amizade, as formas como elas se constroem e, muitas vezes, destroem, os próprios envolvidos. A riqueza de uma verdadeira amizade é impossível de ser mensurada. Em tempos de alta tecnologia e infovias, múltiplas linguagens são construídas a cada dia para expressá-la.
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Prof. Dr. Reginaldo de Souza Silva
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http://idademaior.sapo.pt/multimedia/24388/300x300/ Como diria a poetisa portuguesa, Daniela Pereira: “Quando sentimos que perdemos um amigo, parte de nós é lágrima que cai desamparada… Mas lá dentro, há um sorriso triste, a recordar os bons momentos que esta amizade nos deu. Nasce um vazio de um todo quebrado e um mar cinzento chora despedaçado pelas memórias que perderam a cor. Abre-se um buraco no peito e a enxada deve ter lâmina dura porque nos escava uma ferida tão profunda que esburaca o corpo só para nos atingir em cheio o recheio da alma”
Não existe um programa que nos permita dizer quem serão nossos amigos, quando se tornarão amigos ou sob que condições. O certo é que existe apenas uma via de acesso, o coração. Este, que já fora chamado de “bandido”, não tem formula certa para ser atingido. Amigos ou amigas, muitos os fazemos desde pequenino, na igreja, nas escolas, nas festas de família, no arrasta pé da viola, do forró, dos campos, das roças, cerrados e cidades. Outros na adolescência, período conturbado de muitas descobertas e desamores, outros na sobrevivência diária das ruas, quartéis, redações, universidades e no ambiente de trabalho ou iniciativas pessoais de empreendedorismo. Há também, aquelas amizades que surgem em momentos de alegria ou de tristeza profunda em que um oceano aparece a nossa frente dando conta da impossibilidade de superação das dificuldades e /ou sofrimentos. E lá estará ela, firme, para um futuro quem sabe de alegria, quem sabe de tristeza, mas, sempre com o endereço que a completa: a felicidade.
Amizade não se compra, não se vende, não “dá um tempo”, não é relativa, é entrega e vida profunda. Há amizades que superam a irmandade familiar, sanguínea. Essas amizades são construídas, registradas e permanentemente salvas em nossos corações.
Mas, em tempos de superficialidade, a ética tem se tornado provisória, relativa, o amor mercadoria, o respeito, espécie em extinção – restam agora, aproveitar o momento, as oportunidades. Na linguagem da informática são arquivos salvos na memória RAM. Tão logo os interesses, a fulgacidade, as emoções, as conquistas provisórias se vão, lá também irão as memórias. Em tempo de relatividade, ganância, o lucro a qualquer custo justifica-se o que chamamos na linguagem comercial de “puxar o tapete”, na linguagem de nossos avós não ter palavra, honra. Assim, vivenciando isso em nossos ambientes de trabalho, nas igrejas, nas redes, nos sindicatos, na política, nos perguntamos quem são nossos amigos e quem só espera o momento certo para “dar o bote”.
Mas, há amizades que resistem mais, são aquelas salvas em nosso HD, ou seja, tem mais possibilidades de durarem e resistirem as destruições do tempo, se bem cuidadas, é claro, protegidas por um bom antivírus, que faz as prováveis coberturas para uma boa amizade (a família, a ética, o amor, o respeito, a camaradagem, a partilha e o trabalho).
Quando sentimos que perdemos um amigo as pernas caminham sem destino e os
braços, com frio, sonham com um abraço amigo. Aos corações amigos que caminham em Caruaru, Montes Claros, Itapetinga, São Paulo, Salvador, Vitória da Conquista, Feira de Santana, João Pessoa, Dourados, Campo Grande e Brasília. Aos eternos Marcelo Mororó e Carolina Freitas, “Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudades, mas não estará só.” – Amir Klink

*Reginaldo de Souza Silva – Doutor em Educação Brasileira, professor do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Email: reginaldoprof@yahoo.com.br

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por Jornal de Caruaru

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