A imprensa de oposição, o Governo pautado e a luta pelo marco regulatório para o setor midiático

A velha imprensa é como o abraço do gato: parece carinho, mas ele quer mesmo é morder o pescoço

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Por Davis Sena Filho

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O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Coméricio, Fernando Pimentel, está a ser atacado há dias pela velha mídia brasileira. A presidenta Dilma Rousseff não pode e não deve tergiversar com a oposição ao seu governo e muito menos com a imprensa comercial e privada. Seu DNA é historicamente golpista, além de ser porta-voz dos interesses dos grandes os empresários de todos os setores, principalmente o segmento de bancos (privados). O ministro Pimentel tem de ser defendido, porque ele, além de ser um político histórico do PT, nunca se envolveu com mal feitos, mesmo quando foi prefeito de uma cidade grande e rica como Belo Horizonte.

Fernando Pimentel tem o direito de trabalhar na iniciativa privada. Sua família tem empresa e atua no mercado. Esses fatos não diminuem ninguém. Ao contrário, pois demonstra que membros do PT podem ser empresários, conquanto não ocupem cargos políticos, que é o caso do ministro, amigo pessoal da presidente trabalhista Dilma Rousseff, que é o alvo principal da imprensa corporativa e que não tem compromisso algum com a independência e a autonomia do Brasil e com o desenvolvimento social e econômico do povo brasileiro.

Pimentel não é o mesmo caso de Palocci e não pode ser fritado e desqualificado como fizeram com os ministros Orlando Silva e Carlos Lupi, que não cometeram irregularidades e muito menos usaram seus cargos para auferir ganhos e dividendos. Nada foi comprovado, a não ser que os dois políticos foram, sistematicamente, atacados, contudo, sem poder se defender, porque o sistema midiático oposicionista e de direita não deu espaço a eles para, ao menos, dar explicações sobre as acusações.

Pelo contrário, além de serem agredidos pela mídia conservadora, ainda foram objetos de deboche, ironias e pilhérias de todos os tipos, à frente dessas patifarias o direitista e ex-porta-voz da ditadura civil e militar, Alexandre Maluf Garcia, bem como o cineasta fracassado histriônico e que se diz ex-comunista arrependido quando fez sua mea culpa no Instituto Millenium,  o senhor comentarista condestável Arnaldo Jabor. Seria cômico, se não fosse trágico.

O Governo Dilma Rousseff não pode ceder. Esse processo de imolação de ministros tem de ser estancado pelo Governo, que, a meu ver, deveria rapidamente responder de forma assertiva e prática no que tange à regulamentação do setor econômico midiático, com a aprovação pelo Congreso da Ley dos Medios, como o fez a Argentina, bem como responder às acusações em espaço nobre das televisões abertas, que são concessões públicas, além de pulverizar as verbas publicitárias federais de forma que órgãos de imprensa (jornais impressos, internet, rádios e televisões) de todo o Brasil, inclusive do interior mais longínquo, recebam tais recursos, porque somente dessa forma é que se democratiza esse importante setor da economia que está nas mãos de meia dúzia de famílias, que, arrogantemente, consideram-se donas de um País que tem quase 200 milhões habitantes e é a sexta maior economia do mundo. Um absurdo!

O ex-ministro Franklin Martins estudou, pesquisou, visitou países que regulamentaram o setor midiático e apresentou, de forma democrática e republicana, projeto que tem por propósito implementar um marco regulatório para o País, conforme estabelece a Constituição de 1988, que é odiada pela direita brasileira, por ser uma Lei cidadã. O Ministério das Comunicações, à frente o ministro Paulo Bernado, aquele que tem medo da TV Globo, engavetou o projeto de Franklin Martins. A Presidência da República, por meio da ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, tem de cobrar uma atitude mais assertiva do ministro Bernardo, no que é relativo ao assunto. Até quando essa espera? Vão esperar a imprensa pautar o Governo com a intenção de derrubar ministros sem culpabilidade comprovada? Até quando? Até a Dilma ficar sozinha? Isolada?

Não. Não pode ser assim. Prudência e canja de galinha não faz mal a ninguém. Contudo, se a imprensa golpista continuar a colocar pimenta na sopa chegará uma hora que não se conseguirá mais compreender por que o povo brasileiro elegeu a presidenta Dilma Rousseff, que tem que fazer apenas uma única coisa: governar com a Constituição na mão. A burguesia midiática quer apenas confundir, quando ela afirma e dissemina pelos seus órgãos de comunicação que aprovar o marco regulatório para o setor é censura e um atentado às liberdades de imprensa e de expressão. Não é nada disso.

Os empresários de mídias e seus jornalistas de confiança, como o Arnaldo Jabor, o Merval Pereira, o Augusto Nunes, o Ricardo Noblat, o Reinaldo Azevedo, a Míriam Leitão e o Alexandre Garcia, não querem a democratização e a regulamentação desse segmento porque vão perder poder de barganha (o que realmente essas empresas fazem), a veiculação de notícias deixará de ser monopólio e outras empresas vão ter oportunidade para competir nesse imenso mercado, cujos recursos publicitários bilionários sustentam o sistema midiático por meio de verbas públicas e privadas, advindas dos governos Federal, estaduais e muncipais, bem como das grandes corporações, como, por exemplo, a Ambev, os bancos, as petroleiras e as montadoras de automóveis. É muito poder e dinheiro para ficar na mão de meia dúzia de famílias, cujos interesses são defendidos por jornalistas, muitos deles a se comportar como pitbulls prontos a “morder” aqueles que questionam os interesses de seus patrões.

Volto a repetir: a velha e corporativa imprensa é useira e vezeira em apoiar golpes de estado, em desetabilizar governos democráticos e trabalhistas e a fomentar discórdias, por meio de matérias noticiosas que não valorizam o contraditório, o direito de defesa, o direito de ser ouvido para evitar que os cidadãos acusados ou denunciados não sejam  imolados ou queimados em fogueiras que remontam a Idade Média. A imprensa acusa, julga, setencia e, se possível, prende. Mas ela não é a Justiça e por isso tem de responder quando erra. Acontece que o projeto do Franklin Martins está na gaveta do ministro Paulo Bernardo, que talvez tenha coragem de enfrentar o diabo, mas, ao que parece, jamais a Globo.

As acusações aos ministros Carlos Lupi e Orlando Silva, exonerados sem culpas comprovadas, são atentados contra o Estado Democrático de Direito.  O poder midiático privado brasileiro age tal qual o magnata australiano das comunicações e proprietário da Fox News, Keith Rupert Murdoch, e os seus asseclas travestidos de jornalistas, que cometeram inúmeros crimes para conquistar audiência, e, mais do que isso, ter influência nos meios políticos e empresariais por meio de chantagens, escutas telefônicas clandestinas, ameaças, além de manipulações, distorções e mentiras quando tratavam de veicular as informações noticiosas.

É exatamente o que acontece no Brasil, principalmente a partir de 2003 quando o presidente trabalhista Luiz Inácio Lula da Silva ocupou pela primeira vez a cadeira da Presidência da República. A imprensa comercial e privada percebeu que o PSDB e seus aliados não tem, no momento, condições de vencer as eleições presidenciais e passou a fazer a oposição de fato aos governos trabalhistas de Lula e Dilma. O poder midiático sabe que os números econômicos e sociais desses governos são muito superiores que os dos governos tucanos neoliberais e por isso faz a vez e a voz da oposição, conforme deixou muito bem claro, no dia 18 de março de 2010, a presidenta da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Judith Brito, que disse a seguinte pérola: “Obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste País, já que a oposição está profundamente fragilizada”. Judith é também executiva do Grupo Folha de São Paulo. Portanto, não restam dúvidas quanto às intenções de nossa imprensa conservadora.

O caso do jornalista Gustavo Nogueira Ribeiro, empregado da revista “Veja”, é emblemático. No dia 28 de agosto deste ano, o repórter trapalhão e despido de ética se registrou na suíte 1.607 do Hotel Nahoum, onde o ex-deputado e ministro José Dirceu costuma se hospedar quando está em Brasília. O repórter reservou um quarto para ele e usou ardil para que a camareira abrisse o quarto do ex-ministro para “investigaro porquê de o político estar no DF para conversar com pessoas do Governo e do PT. Venhamos e convenhamos, Dirceu é militante do PT e um dos seus fundadores. 

O político que foi cassado em 2005 por causa do “Mensalão”, que juridicamente nunca foi comprovado e recentemente negado pelo pivô do caso, senhor Roberto Jefferson, presidente do PTB, homem da direita e que tinha intenção de derrubar o presidente Lula do poder com o apoio da oposição partidária e da imprensa, tem o direito constitucional de se encontrar e falar com quem quiser, afinal são pessoas que ele conhece há décadas. Além disso, José Dirceu é filiado influente do PT e até hoje participa de todos seus eventos. Então, por que o repórter agiu assim? O problema é que a “Veja” faz um jornalismo de esgoto e por causa disso não tem limites. Se o jornalista é ambicioso, junta-se a fome com a vontade de comer. Não sei se o Roberto Civita, dono da Editora Abril e da “Veja” é o Rupert Murdoch, mas sei que ações como a do seu empregado são iguais de muitos empregados do magnata australiano envolvido com escândalo de espionagem.

Enfim, o jornalista da “Veja” foi pego com a mão na botija, porque a camareira o denunciou para seu chefe imediato. A revista, que é a última flor do fáscio e realiza o verdadeiro e autêntico jornalismo de esgoto, está a responder na Justiça pelo seu crime, pois processada, bem como o seu empregado trapalhão. E aí fica a pergunta que não quer calar: “quantos processos respondem a imprensa burguesa e seus empregados na Justiça?” É uma difícil resposta, porque requer pesquisa. Contudo, atrevo-me a dizer: são muitos e muitos desses se tornam transitados em julgado, o que acarreta, não raramente, punição ao órgão de comunicação e ao empregado, porque envolvidos com ilegalidades e até mesmo com crimes.

Considero, entretanto, que a presidenta Dilma Rousseff tenha de melhorar sua Secretaria de Imprensa para que ela responda à altura necessária quando perceber ou comprovar que existe realmente processos identificados de fritura de ministros na imprensa e nas mídias em geral. Governos trabalhistas não podem tergiversar com uma imprensa que tem passado histórico golpista e que é francamente oposicionista. O Governo Federal, juntamente com o Congresso, tem de aprovar o marco regulatório para as mídias e com isso democratizá-las, para o bem do Brasil e de sua população. Não se consegue ter paz para governar com uma imprensa que não faz jornalismo e, sim, proselitismo. 

A presidenta Dilma não pode vacilar e nem remediar porque não se bebe leite com gato grande e selvagem no mesmo pires impunemente, porque depois do líquido bebido o felino pode comer o braço, se não optar pelo pescoço. Governantes trabalhistas do Brasil sofreram muito e pagaram preços altos no que concerne às suas sobrevivências partidárias e políticas. A última vítima foi o grande presidente João Goulart, que somente pôde voltar ao Brasil em 1976. Voltou para ser enterrado em São Borja, pois morto. 

A velha imprensa é de direita e sempre vai apoiar os interesses dos grupos privados nacionais e internacionais. A presidenta Dilma Rousseff sabe disso. O presidente Lula também, porque quase o derrubaram em 2005. Não foi à toa que Lula foi para as praças públicas, o que arrefeceu o golpe e eliminou tal má intenção. Dilma não tem de pedir licença para democratizar os meios de comunicação. Ela foi eleita pelo povo. A mandatária somenta precisa fazer uma única coisa: governar com a Constituição na mão.

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por Jornal de Caruaru

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